o cão constante

Sem título número um

with 3 comments

Contorcia os pés para dentro porque se recusava a pisar o chão em linha recta e não tropeçar. Coçava os olhos grandes porque não confiava no que via com a devida clareza. Baloiçava o corpo porque se deixava embalar pelas longas, mas suaves, ondulações da água que forma parte do seu corpo. Bocejava muito porque a vida, tal como lhe surgia, era entediante. Beliscava-se porque assim tinha a certeza que sonambulava. Falava pouco porque não havia nada para dizer. Dançava sozinha porque não havia música no ar. Comia pouco porque nada tinha sabor. Sorria muito porque assim não chorava. Acreditava ser feliz porque assim não se sentia triste.

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Written by Luís Miguel Martins

Quinta-feira, 26 Agosto, 2010 às 04:51

3 Respostas

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  1. Ah! Onde já li isto?
    (bj de saudade. eheheheh)

    Lu

    Quinta-feira, 26 Agosto, 2010 at 14:38

  2. Eheheheh

    Verdade, verdade, até que foram os teus pés que principiaram este texto, lá onde havia sossego.

    Beijo gordo para ti pequena Lú.

    Luís Miguel Martins

    Quinta-feira, 26 Agosto, 2010 at 15:55

  3. LINDO… Vou publicar no meu blog, tem tudo a ver com uma fase da minha vida, que finalmente já está lá pra trás…

    Adoro os teus textos!
    Jokitas

    Mamã ET

    Quinta-feira, 24 Fevereiro, 2011 at 01:01


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